CPI CONTRA MINISTROS DO STF: ALESSANDRO VIEIRA DIZ TER APOIO SUFICIENTE NO SENADO
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que já reuniu assinaturas suficientes no Senado para protocolar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende investigar a relação de dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com controladores do chamado grupo Master.
A iniciativa surge em meio às discussões políticas sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e a atuação de autoridades públicas. Segundo o senador, a proposta busca investigar condutas específicas de integrantes da Corte sem atingir a instituição como um todo.
Durante entrevista na CNN, Vieira destacou que a apuração não representa um ataque ao STF, mas sim uma investigação sobre possíveis responsabilidades individuais.
“As instituições são permanentes e fundamentais para a República — Executivo, Judiciário e Legislativo. Mas as pessoas que ocupam cargos nesses poderes cometem erros, eventualmente cometem crimes”, afirmou o senador.
Ele acrescentou que a investigação é necessária para esclarecer suspeitas envolvendo a relação entre magistrados e empresários do setor financeiro.
“Chegou a hora de apurar a conduta desses dois ministros no tocante ao relacionamento com os controladores do grupo Master. Não vejo nenhum risco de mistura entre a instituição e as pessoas. São condutas específicas, delimitadas no tempo, que exigem apuração.”
Vieira também ressaltou que a defesa de investigações sobre autoridades não é recente em sua atuação parlamentar.
“É uma pauta que eu defendo há muito tempo, desde 2019. É fundamental para o Brasil que todos respondam debaixo da mesma lei. Ou então não é uma democracia.”
Apoio no Senado
De acordo com o senador, o requerimento já conta com apoio significativo entre os parlamentares. Para a abertura de uma CPI no Senado são necessárias 27 assinaturas, número que, segundo ele, já foi superado.
“Nós já temos 35 assinaturas. O pedido foi apresentado na sexta-feira à noite e mesmo assim já alcançou um volume muito significativo de apoio.”
Entre os signatários estão senadores de diferentes partidos, incluindo integrantes do PL, como o senador Flávio Bolsonaro e o líder da sigla no Senado, Rogério Marinho.
Críticas a Eduardo Bolsonaro
Durante a entrevista, Vieira também comentou críticas feitas nas redes sociais pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O senador afirmou que prefere manter o foco na investigação.
“A gente está fazendo um troço sério. É uma coisa muito grave. Estamos falando de uma possível investigação que nunca existiu em 200 anos do Senado.”
Ele ainda relembrou divergências anteriores com o parlamentar.
“Lá em 2019, quando pedi a CPI da Toga e o impeachment desses mesmos ministros, quem ficou contra foram Eduardo e Flávio Bolsonaro.”
Foco da investigação
Vieira afirmou que o objetivo da CPI é investigar exclusivamente possíveis relações entre ministros do STF e integrantes do grupo investigado, sem interferir em decisões judiciais da Corte.
“A Constituição não permite que CPI revise ou discuta o conteúdo de decisões judiciais. O requerimento foi formulado justamente com esse cuidado.”
Segundo ele, a comissão pretende esclarecer se houve contato ou irregularidade na relação entre autoridades e empresários do setor financeiro.
“O foco desta nova CPI é apurar as relações entre os dois ministros e esse grupo criminoso — se elas existiram ou não, qual é a natureza delas, e se houve alguma falha que justifique a aplicação dos remédios constitucionais.”
Investigações paralelas
O senador também destacou que outras investigações já estão em andamento, inclusive conduzidas pela Polícia Federal dentro do próprio STF.
“As investigações vão avançar. O material apreendido é volumoso, os valores envolvidos são inacreditáveis e, ao que tudo indica, há até listas de pagamentos sendo periciadas.”
Para Vieira, a delimitação do foco da CPI pode ajudar a acelerar resultados.
“O foco ajuda a dar resultado logo naquilo que é mais urgente.”
Caso seja oficialmente instalada, a comissão pode se tornar uma das investigações parlamentares mais sensíveis envolvendo integrantes do Judiciário na história recente do país.
